06 julho 2014

A dor por trás do até breve

    




 Ainda não descobri na vida o que pode ser pior do que dizer um "até breve" que dura mais do que 6 meses. Dizer um "Tchau", "Vai com Deus" e um "Até logo' tendo a ciência e certeza de que nada te fará dizer o quanto antes um "Oi" é realmente doído.

     Não se trata de sentimentalismo exagerado, é o que o nosso próprio cérebro consegue fazer sem que tenhamos controle, pois o máximo que até hoje consegui fazer foi me despedir sorrindo, ver o carro partir e começar a chorar alto, sentindo dor, tal dor que não se descreve, não se rotula, simplesmente, literalmente, se sente e aceita a realidade.

     Em dias anteriores eu conseguiria retratar tudo o que sinto quando digo que me despedi dos meus pais e continuei em uma cidade a mil quilômetros de distância da deles com o único objetivo de terminar a faculdade e estruturar o meu futuro, mas atualmente não me vejo nem mesmo no domínio de mim mesma pra dizer o que sinto, porque talvez seja mesmo isso os sentimentos, coisas que sentimentos mas não conseguimos explicar.

     Ainda que eu conseguisse explicar, nada seria suficiente para descrever em palavras o que significa o choro alto, os inacreditáveis soluços, o olhar acompanhando os faróis do carro até a esquina, a "corrida" até a cama pra me cobrir de cobertas, chorar mais ainda e orar a Deus pedindo forças, até que as lágrimas se esgotem por si só e restem apenas minuciosos soluços, eles mesmos também se findam e todo este magnífico e tão doído momento da vida me dê sono e eu durma sem perceber.

Foto: Eu mesma.