E se?
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E se.
Se eu pudesse descrever todo o ódio que tenho por
este termo, as palavras que conhecemos na linguagem atual não seria capaz de
descrever. Nem mesmo se eu optasse por outro idioma eu conseguiria concretizar
as minhas revoltas contra esse termo que por mais que tenha um toque de
imaginação o que o torna aparentemente atraente, o torna em um sentimento –
inclusive – desprezível. Quantos “e se” são capazes de transformar a vida de
uma pessoa deste modo? E por qual motivo é tão frustrante acreditar nesses “e
se” da vida que nunca, infelizmente, se realizam.
E se alguém me conhecesse e se encantasse com os
meus defeitos e quisesse me fazer bem? E se eu dissesse tudo o que tenho
vontade de dizer? E se eu fosse em todos os lugares que eu sempre quis ir? E se
o dinheiro não fosse o fator que concretiza ou não nossos sonhos? E se eu
nascesse com uma sabedoria plena sobre todas as coisas e por este fato não
sofresse tanto com as lições da vida? E se o termo “e se” não existisse e tudo
o que tanto desejamos se concretizasse pelo simples motivo de querermos tanto
que algo se torne realidade? E porque a realidade nos frustra tanto a ponto de
insistirmos na ideia dos “e se”?
Um parágrafo inteiro de questões que não tem
respostas. Um parágrafo inteiro com dúvidas degradantes. Eu odeio o fato de eu
não ter a capacidade de entender. Odeio mais ainda odiar o termo “e se”.
Na verdade não sei o que estou dizendo e nem o
que estou pensando, só me sinto como uma regra no mundo e gostaria de ser uma
exceção. Talvez fosse mais fácil.
Talvez.
É também um termo pra se odiar. Na verdade, todos
os termos que deixam indagações e dúvidas em nossa mente deveriam ser
simplesmente extintos do mundo. Não é nenhum radicalismo, é simplesmente uma
suposição que poderia ter sido aceita entre nossa sociedade na primitiva época
do surgimento da linguagem. O sim ou o não deveriam ser as únicas e exclusivas
respostas que o ser humano pudesse dizer e se não for almejar demais, perfeito
seria se estas viessem rebuscadas com palavras boas ou que simplesmente fossem decisivas.
Mas o perfeito não existe.
E a vida continua? É isso mesmo em que eu tenho
que acreditar? Tudo bem, vou tentar.
Como é bom escrever, nem que seja pra demonstrar o inevitável ódio sobre determinadas circunstâncias.
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