30 agosto 2014

Instável




Em todo o ensino médio aprendi que um bom texto deve ser escrito na terceira pessoa do singular, contudo, me recuso a utilizar este formalismo o tempo todo, ora que quando escrevemos alguma coisa, tal coisa parte de nós mesmos, ficando em todo caso nossa opinião sobre algo.

Como quando penso no amor e acho que ele nunca vai me encontrar e que por mais que eu não busque, sempre dou um jeito de buscar ou quando me vejo parada olhando o infinito das coisas e vendo, além do observar, que a humanidade está corrompida, de modo que vejo muitas pessoas o tempo inteiro, mas não vejo bondade, senão desespero.

Desespero este que me afeta por estar afetando os outros. É tanta pressão que me pergunto as vezes se darei conta e neste emaranhado de dúvidas, hora ou outra elas se conectam como átomos de hidrogênio sob calor e geram uma explosão nível nuclear dentro de mim.

Em estúpidos momentos de incontrole fico sem ar e não consigo respirar, olho para todos os lados e não consigo me concentrar. A ansiedade em tentar controlar a ansiedade me desequilibra a ponto de eu não conseguir me consertar. Toda a futilidade, desumanidade e incompreensão do mundo parece por um tempo determinado me controlar e o tremor nas mãos que cotidianamente me é normal, torna-se estrondosamente surreal.

Depois deste momento não sei o que faço para me controlar, sei que esqueço de tudo de uma vez e tudo fica bem sem eu ao menos notar. As vezes me medico, outras vezes ouço suaves canções, observo imagens que me equilibram a respiração, me lembro que há coisas maiores para completar, como meus estudos na faculdade sobre a justiça e do que ela é capaz. Me recordo dos meus pais e quase sempre começo a chorar, porque eles não estão ao meu lado como eu tanto queria e me lembro que é a distância um dos meus inimigos.

Em todo o caso, o desejar e o sonhar estão distantes de se realizar. E eu, na primeira pessoa do singular, não nego que o que eu queria logo era me controlar, porque a vida reserva coisas boas para mim, Deus sempre faz assim, só me falta aquietar e saber que não sou nada sozinha. Todo novo segundo é um momento da vida, que deve ser vivido e ao mesmo tempo sentido, ainda que seja difícil domar parte da minha natureza, sei que apesar de tudo, nela ainda é possível encontrar beleza.